sexta-feira, 25 de abril de 2008

Série Cartas: Vista Grossa

Escrevo para parabenizar a excelente reportagem publicada por Miram Leitão em sua coluna, no caderno economia. Não só por sua precisão de informações, mas principalmente pela coragem de enfrentar essa máfia perigosa dos madereiros. Ela deixou claro uma coisa que a muito tempo me parecia óbvia, mas que quase ninguem discute. As atrocidades que acontecem em nosso país, o profundo desrespeito as leis e as regras que regem nossa economia e nossa civilização como um todo, ocorre não por falta de informação ou por falta de competência. As atrocidades ocorrem por causa da vista grossa de nossas autoridades, que de alguma forma se beneficiam das atrocidades e, portanto, têm interesse que estas ocorram. Essa vista grossa é tão clara agora, que Miriam soube citar em detalhes a rota da extração de madeira ilegal na Amazônia. Não vamos bem, e nem a Antártica que está degelendo muito mais que suspeitavamos. Ora, a relação entre aumento de desmatamento e o proporcional aumento do aquecimento global, hoje, já é mais que certa a ciência dos homens. Mas, é claro, que não devemos culpar somente o Brasil por isso. A culpa não é só nossa. Nós, pelo menos, temos a condição de tentar salvar os outros. Temos a condição de usar a maior floresta tropical do mundo para trabalharmos pelo bem da Terra e nos tornarmos mais repeitados internacionalmente por isto.

Outros tipos de vista grossa, alem do desmatamento ilegal, certamente existem aos montes. E adoriaria ver reportagens semelhantes sobre os mesmos. O tráfico de drogas, por exemplo. Ora, plantar toneladas de maconha e de folha de coca não é fácil. Uma grande plantação é algo bem visível e localizavel geograficamente. E portanto, para que elas ocorrram, é necessário que muitas pessoas finjam que não estão vendo nada. E o tráfico de armas? Ora, será que até hoje as grandes indústrias bélicas não sabe para quem vende os aramamentos. Bom, se não vende para o exército, só pode estar vendendo para algum tipo de narcotraficante ou guerrilheiro. Afinal de contas, quem iria querer um fuzil ou uma metralhadora ultra-moderna em casa? O que um sujeito comum faria com isso?

Rio de Janeiro, 25 de Janeiro de 2008

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